O Ministério da Fazenda recusou o pedido do governo do Distrito Federal para realizar uma reunião sobre o empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado à capitalização do Banco de Brasília (BRB). Em ofício enviado ao governo distrital, a pasta afirmou que a estruturação e a execução da operação não são atribuições do governo federal.
O pedido de reunião foi feito no dia 20 de agosto pela chefia de gabinete da governadora Celina Leão para dar continuidade às tratativas de crédito junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A resposta, assinada pelo chefe de gabinete do ministro Dario Durigan, Fábio Henrique Bittes Terra, informou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já representam a União nas discussões.
O documento, datado de 31 de agosto e recebido pelo DF em 2 de setembro, declarou que a participação federal não significa responsabilidade na condução do processo. A Fazenda orientou que o Distrito Federal articule a operação diretamente com instituições financeiras e agentes do mercado para definir os termos do crédito.
A medida reforça a posição de Durigan de que a gestão do BRB é responsabilidade exclusiva do DF. O banco enfrenta uma crise originada em operações com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões e são alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de fraudes financeiras.
O BRB estima que R$ 8,8 bilhões dos créditos comprados do Banco Master sejam inexistentes, fraudados ou difíceis de recuperar. O governo do DF afirma ter condições de cobrir R$ 2,2 bilhões do prejuízo, buscando os R$ 6,6 bilhões restantes via FGC.
Para viabilizar o empréstimo, bancos públicos e privados entrariam como avalistas, com a possibilidade de receberem recursos dos fundos de participação dos Estados e municípios (FPE e FPM) destinados ao DF em caso de calote. No entanto, instituições financeiras resistem ao risco e o FGC solicita balanços de 2025 e 2026 para avaliar a suficiência do montante.


