O diretor Danny Boyle abriu o 83º Festival de Veneza nesta quarta-feira (2) com o filme “Ink”. A obra dramatiza a reestruturação do jornal britânico The Sun a partir de 1969, focando na parceria entre o magnata Rupert Murdoch e o editor Larry Lamb para transformar o veículo no diário mais vendido da Grã-Bretanha.
Interpretado por Jack O’Connell, Larry Lamb é apresentado como o editor responsável por dobrar a circulação do jornal em um ano. O filme, adaptado por James Graham de uma peça de 2017, utiliza flashbacks e imagens de arquivo para mostrar como as manchetes de letras vermelhas e o apelo à classe trabalhadora desafiaram as convenções jornalísticas da época.
Boyle afirmou em entrevista coletiva que a trama aborda rebeldes mudando uma ordem monolítica e paternalista. O diretor disse compartilhar do desprezo que Murdoch e Lamb tinham pelo sistema britânico. A narrativa contrasta o crescimento das vendas com a queda moral do jornal, citando casos como a cobertura do assassinato de Muriel McKay em 1969 e a primeira foto de topless da modelo Stephanie Rahn.
O longa evita a condenação total dos protagonistas, apresentando-os como figuras movidas pelo ressentimento de suas origens humildes. Boyle declarou que se recusou a “demonizar” Murdoch, descrevendo-o como alguém que representava renovação em uma sociedade rígida. A obra foca no equilíbrio entre a verdade e o entretenimento, com a personagem Jules afirmando que o público busca janelas para sonhar, e não reflexos do mundo.
A produção buscou realismo técnico ao filmar em uma gráfica real no norte de Londres. James Graham descreveu a recriação da “sujeira e imundície” da prensa gráfica como um romantismo cru. Boyle informou que, durante a fase de refilmagens, foi notificado de que a gráfica fecharia por falta de demanda de trabalho.
O tema da mídia e seus danos integra a mostra de Veneza deste ano. Além de “Ink”, o festival exibe um documentário sobre Elon Musk e um drama sobre o apresentador Chris Hansen.


