A jornalista e ativista feminista americana Gloria Steinem morreu aos 92 anos, nesta quinta-feira (3), em sua casa em Nova York. A notícia foi divulgada por meio de um comunicado da Gloria’s Foundation, que informou que a morte ocorreu de forma pacífica, mas não detalhou a causa.
A ex-secretária de Estado Hillary Clinton descreveu Steinem como uma pioneira que abriu portas para milhões de mulheres e afirmou que o ativismo da jornalista era baseado no otimismo.
Steinem iniciou a carreira no começo da década de 1960. Em um de seus primeiros trabalhos, infiltrou-se no clube Playboy para escrever uma reportagem investigativa sobre o sexismo enfrentado pelas garçonetes conhecidas como coelhinhas, época em que mulheres ainda precisavam de autorização dos maridos para abrir contas bancárias.
Na década de 1970, a jornalista fundou a revista Ms. e o National Women’s Political Caucus. Ela também organizou a primeira Conferência Nacional de Mulheres, realizada em Houston, e viajou pelos Estados Unidos e outros países para participar de protestos e conferências.
A ativista relatou que seu despertar feminista ocorreu em 1969, durante uma reunião onde mulheres discutiram a experiência do aborto. Steinem revelou ter realizado o procedimento em 1957, em Londres, quando a prática ainda era ilegal.
Em 2022, após a Suprema Corte dos EUA revogar a decisão Roe vs. Wade, que garantia o direito ao aborto, Steinem declarou que a proibição não elimina a necessidade do procedimento, apenas retira a sua segurança. Na ocasião, pediu que as mulheres se organizassem.
A Gloria’s Foundation afirmou que a jornalista trabalhou pela igualdade até o fim e destacou sua capacidade de ouvir as pessoas, sua curiosidade e o senso de humor.


