O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e entregou comprovantes de transferências do banqueiro Daniel Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A colaboração, encaminhada ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indica que os pagamentos foram justificados como patrocínio ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Freixo Júnior declarou em depoimento que desconhecia o destino final dos valores e apenas cumpriu ordens de Vorcaro. O empresário se comprometeu a pagar multa de aproximadamente R$ 2 bilhões.
As investigações apontam que os repasses foram solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria pedido US$ 24 milhões para a produção do longa. Registros do celular de Vorcaro mostram pagamentos de ao menos US$ 10 milhões (R$ 61 milhões) ao fundo Havengate. Dados posteriores indicam que o total enviado pode ter chegado a US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 65 milhões).
Uma das transferências, de US$ 1,6 milhão, ocorreu em setembro de 2025, após Flávio Bolsonaro afirmar que os pagamentos haviam sido concluídos. A Polícia Federal apura se todo o montante foi para o filme ou se parte custeou despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-parlamentar nega a hipótese, enquanto o senador sustenta que os valores foram integralmente usados na produção.
Esta é a segunda delação no caso Master, após a proposta de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag. O Grupo Entre, de Freixo Júnior, já foi alvo de buscas em janeiro na operação Compliance Zero. A defesa do empresário não se manifestou sobre o acordo devido ao sigilo das apurações.
Deputados do PT, PCdoB, PV, Psol e Rede pediram ao presidente do STF, Edson Fachin, o fim do sigilo do caso. Aliados de Bolsonaro defendem que a relatoria permaneça com Mendonça.


