O governo do Distrito Federal alterou a classificação de parte das despesas orçamentárias para ampliar a capacidade de pagamento e tentar viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado ao Banco de Brasília (BRB). A medida visa socorrer a instituição após prejuízos causados por fraudes envolvendo o Banco Master.
Pela mudança adotada, gastos que eram registrados como despesas correntes passaram a ser enquadrados como investimentos. A manobra reduz o volume de despesas correntes e eleva a poupança corrente do Distrito Federal, indicador utilizado pelo Tesouro Nacional para avaliar a capacidade de pagamento de estados e do governo distrital.
O secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, defendeu a alteração em agosto. O governo tenta utilizar os resultados parciais de 2026 para provar à União e a instituições privadas que possui condições de assumir a nova dívida, embora o Tesouro Nacional tenha mantido a classificação “C” de Capacidade de Pagamento (Capag) do ente público.
A nota “C” impede que a União conceda aval para novos financiamentos do governo distrital. Segundo o Tesouro, a poupança corrente foi um dos fatores que contribuíram para a manutenção da avaliação negativa pelo segundo ano consecutivo, considerando ainda a liquidez e a capacidade de endividamento.
A estratégia é questionada pela Consultoria Legislativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O Executivo sustenta que a mudança permite adequar os registros orçamentários e melhorar a demonstração da situação fiscal do governo.
O BRB ainda não recebeu o aporte necessário para cobrir o rombo originado em operações com a instituição de Daniel Vorcaro. O Distrito Federal, controlador do banco, registrou um déficit de R$ 5,5 bilhões no orçamento do ano passado.


