O banco central da Holanda retirou 59 toneladas de ouro dos Estados Unidos e transferiu a custódia para Londres, informou a instituição nesta quinta-feira (3). A movimentação ocorre em um cenário de tensões geopolíticas que leva autoridades monetárias a reavaliar a localização de suas reservas internacionais.
A operação foi realizada por meio da venda de cerca de 59 toneladas de ouro em Nova York e a compra de volume equivalente em Londres. Paralelamente, mais de 27 toneladas foram transportadas fisicamente dos Estados Unidos e do Canadá para Zeist, cidade ao sudeste de Amsterdã, onde fica o centro de custódia do país. Uma quantidade semelhante foi depois transferida para a capital financeira britânica.
O ministro das Finanças da Holanda, Eelco Heinen, explicou que os preparativos foram mantidos em sigilo até a conclusão por se tratar de questão de interesse público relevante. A instituição mantém atualmente 30,8% de suas 612,4 toneladas de ouro em Zeist.
Segundo o banco central holandês, a decisão de manter uma parcela maior das reservas em Londres fortalece o papel do metal como um ativo de confiança. O movimento segue a tendência de outros países europeus, como a França, que recentemente substituiu reservas nos Estados Unidos por ouro armazenado em Paris para adequar as barras aos padrões internacionais.
A Alemanha, que detém a segunda maior reserva de ouro do mundo, também enfrenta pressões internas para repatriar o metal guardado em Nova York. No Parlamento alemão, o partido AfD propôs a volta de todo o ouro para evitar que o governo dos Estados Unidos utilize o controle dos ativos como instrumento de pressão política.
O volume de ouro de bancos centrais em Nova York é herança da Segunda Guerra Mundial e do sistema de Bretton Woods, quando países europeus buscavam segurança no território americano. O estoque, que superou 12 mil toneladas em 1973, encolheu para menos da metade desde então.


