O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu à Justiça dos Estados Unidos a rejeição de acusações de tráfico de drogas e narcoterrorismo. A defesa sustenta que Maduro, de 63 anos, possui imunidade como chefe de Estado e que o tribunal federal de Nova York não tem jurisdição para processá-lo ou a sua esposa, Cilia Flores.
Maduro e Flores estão detidos nos Estados Unidos desde 3 de janeiro de 2026, quando foram capturados em operação militar em Caracas. Desde então, o ex-presidente permanece em uma unidade prisional federal no Brooklyn. A defesa questiona a legalidade da operação de captura e afirma que os atos investigados ocorreram no exercício de funções oficiais.
O governo dos Estados Unidos não reconhece a legitimidade de Maduro como presidente desde 2019. Segundo a imprensa local, essa posição de Washington é vista por especialistas como um dos principais obstáculos à estratégia jurídica da defesa, que se baseia na condição de chefe de Estado para pleitear a imunidade soberana.
O juiz federal Alvin Hellerstein marcou para 17 de novembro uma audiência para analisar os argumentos. O governo americano tem até 2 de outubro para responder às alegações. Caso o pedido de arquivamento seja negado, o julgamento do casal está programado para começar em 1º de junho de 2027.
A Justiça americana já enfrentou caso semelhante em 1990, quando rejeitou a alegação de imunidade do ex-presidente do Panamá, Manuel Noriega, também levado ao país após intervenção militar. O precedente é citado por especialistas como relevante para a análise do processo atual.
Enquanto a disputa judicial ocorre, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez exerce o comando interino da Venezuela. Caracas ampliou as negociações com Washington nos últimos meses, com tratativas focadas no setor de petróleo.


