A Polícia Civil e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) monitoram a venda clandestina de animais silvestres em grupos de aplicativos de mensagens no Rio de Janeiro. A modalidade de crime facilita a identificação de fornecedores e resultou na apreensão de mais de 1,5 mil animais em menos de um ano.
Traficantes utilizam as plataformas para divulgar vídeos e fotos de aves e primatas, negociando preços e oferecendo descontos. Em anúncios monitorados, filhotes de arara eram ofertados por R$ 1,5 mil, enquanto macacos-prego chegavam a custar R$ 3,9 mil, com entregas organizadas via carros de aplicativo. Um filhote de mico teve o valor reduzido de R$ 650 para R$ 400 para agilizar a venda.
A delegada Josy Lima informou que a exposição dos vendedores nos grupos de mensagens agiliza o trabalho de investigação. As apurações da Polícia Civil indicam que há uma relação cada vez mais frequente entre o tráfico de animais e o tráfico de drogas no estado. O órgão investiga o comércio ilegal tanto em feiras livres quanto na internet.
O Ibama declarou que intensificou a fiscalização de anúncios em grupos de mensagens. Quando a prática criminosa é identificada, o órgão adota medidas administrativas e encaminha o caso ao Ministério Público. A manutenção de animais silvestres sem autorização é crime no Brasil, com pena de até um ano de prisão e multa.
De acordo com as autoridades ambientais, não existem criadouros de macacos autorizados pelo Ibama, e os primatas não podem ser mantidos como animais domésticos no país. O Instituto Vida Livre reabilita animais resgatados, como um macaco-prego domesticado que tenta recuperar comportamentos naturais para retornar à natureza.
Roched Seba, diretor do Instituto Vida Livre, explicou que a percepção de que o animal é “manso” esconde consequências graves da retirada da natureza. A humanização cria dependência de pessoas e interfere no comportamento da espécie. Além dos maus-tratos, a retirada de animais silvestres pode causar desequilíbrios ambientais e transmitir doenças aos seres humanos.


