As taxas do Tesouro Direto registraram queda nesta quinta-feira (3), com os títulos prefixados atingindo o menor patamar desde maio. O movimento reflete a percepção de desaceleração da atividade econômica e arrefecimento da inflação, fatores que podem abrir espaço para a continuidade dos cortes na taxa Selic.
O Tesouro Prefixado 2029 caiu para 13,86%, enquanto o título com vencimento em 2032 recuou de 14,37% para 14,23% às 13h, uma redução de 14 pontos-base. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 também baixou, passando de 14,42% para 14,30%. Nos títulos vinculados à inflação, o recuo foi menor, com o IPCA+ 2050 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 caindo 6 pontos-base.
Gustavo Danilo Guimarães, especialista de renda fixa, informou que a perda de força da indústria e um Caged mais fraco reforçam que a política monetária está cumprindo seu papel. Segundo o especialista, a desaceleração da atividade e as leituras de inflação podem permitir cortes da Selic superiores aos já previstos pelo mercado.
O equilíbrio em pesquisas eleitorais recentes é apontado como um segundo vetor. Guimarães afirmou que a disputa impacta a precificação de ativos com vencimentos em 2027 e 2028, retirando prêmios sobretudo da parte curta da curva. O cenário ocorre após o Ibovespa subir 3,05% na quarta-feira, atingindo 185.205 pontos, e o dólar recuar para R$ 5,10.
No mercado externo, a queda dos rendimentos dos Treasuries de dez anos colabora com o movimento. No entanto, o petróleo Brent subiu mais de 1%, mantendo a pressão inflacionária decorrente de tensões entre Estados Unidos e Irã. Atualmente, os mercados atribuem 60% de probabilidade a uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda este mês.
No Brasil, o PMI de serviços subiu de 49,7 para 50,5 em agosto, voltando ao campo de expansão. Apesar do dado, a atividade do setor privado como um todo permanece em contração devido ao desempenho da indústria.


