O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, demitiu nesta quinta-feira (3) o deputado federal Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil. A decisão foi publicada no Diário Oficial do estado e encerra um processo disciplinar iniciado em 2020 na Corregedoria do órgão.
A demissão ocorreu após a apuração de que o parlamentar forjou a gravação de um vídeo com uma suposta vítima de sequestro para atrair seguidores em redes sociais. O processo havia sido entregue ao gabinete do governo ainda em 2022, durante a gestão de Rodrigo Garcia. Pela legislação, a demissão de um delegado de polícia exige a decisão do governador.
Investigações indicam que Da Cunha utilizava a estrutura da Polícia Civil para produzir conteúdos para o YouTube. O deputado pagava até R$ 14 mil por mês a uma equipe de filmagem para registrar suas rotinas. Relatos de colegas e subordinados apontavam que a delegacia comandada por ele funcionava como uma central de edição de vídeos para promoção de imagem e ganho financeiro.
O comportamento do “policial youtuber” gerou conflitos internos e críticas à gestão do ex-delegado-geral Ruy Ferraz, falecido no ano passado. Agentes da corporação teriam sido chamados de “ratos” pelo parlamentar em episódios de irritação.
Separadamente, o deputado responde a denúncia do Ministério Público de São Paulo por lesão corporal em contexto de violência doméstica, ameaça e dano qualificado. Uma nutricionista relatou ter sido agredida e ameaçada de morte, chegando a perder a consciência após ter a cabeça batida contra a parede e o pescoço apertado. O processo criminal segue em tramitação sem sentença.
Carlos Alberto da Cunha estava afastado do cargo na Polícia Civil para exercer o mandato em Brasília. Procurado, o deputado não respondeu aos questionamentos.


