Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) identificou parasitas em 96% dos atuns-bonitos (Katsuwonus pelamis) analisados. Ao todo, foram encontrados mais de 1,6 mil organismos em 53 exemplares capturados em mar aberto no Atlântico Centro-Meridional entre 2019 e 2021.
Dos peixes examinados, 31 apresentavam parasitas na musculatura, região consumida por humanos, inclusive em preparos crus. Foram localizados 441 organismos na carne. A maior concentração estava no intestino, com 596 parasitas, seguido pelo estômago, com 408. O coração e os rins foram os únicos órgãos onde nenhum parasita foi detectado.
A análise identificou gêneros como Anisakis e Rhadinorhynchus, além do grupo Trypanorhyncha. Larvas do gênero Anisakis podem causar anisaquíase, doença que provoca dor abdominal, náusea, vômitos, diarreia e reações alérgicas. O risco é maior no consumo de peixe cru ou malcozido, embora proteínas do Anisakis possam causar alergias mesmo após o cozimento ou congelamento.
Os pesquisadores explicam que os parasitas iniciam a infestação nas vísceras e podem migrar para a musculatura. Por isso, orientam a retirada rápida das vísceras após a pesca e a inspeção rigorosa durante o processamento para evitar que as larvas cheguem ao consumidor final.
Os exemplares foram congelados a -18 °C e levados ao Laboratório de Saúde dos Organismos Aquáticos da UFSC, em Florianópolis. A equipe utilizou microscópios, incluindo um eletrônico de varredura, para detalhar os organismos. O estudo, publicado na revista Ocean and Coastal Research, tem como autora principal Clarissa Maia de Aquino.
O atum-bonito é a espécie mais abundante da pesca comercial no Brasil, com 31.435 toneladas capturadas no país em 2023. Globalmente, a espécie registrou 3,1 milhões de toneladas de captura em 2022. A autora ressalvou que os resultados não indicam que todos os peixes da espécie possuam a mesma quantidade de parasitas.


