Um relatório da Polícia Federal (PF), divulgado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (1º), revela mensagens trocadas entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As conversas ocorreram entre abril de 2024 e junho de 2025, com a intermediação do advogado Ciro Soares.
As mensagens foram extraídas do aparelho celular de Vorcaro. Em 14 de abril de 2024, Ciro Soares, que atuou como defensor do Banco Master, escreveu ao ex-banqueiro que “amizade é tudo” e afirmou que Gonet é “firme”. Na mesma data, o advogado relatou em áudio ter pedido ao procurador-geral que conversasse com uma pessoa para que ela retirasse uma candidatura, informando posteriormente que a desistência ocorreria.
O documento registra a interação entre os envolvidos em março de 2025. No dia 15, Ciro enviou uma foto ao lado de Gonet a Vorcaro, solicitando que ele ligasse. O relatório da PF indica a realização de quatro chamadas de voz e uma conversa telefônica com duração de três minutos e 49 segundos na sequência.
Ciro encaminhou mensagens atribuídas ao procurador-geral nas quais Gonet dizia estar “na torcida” e que sentia saudade. O advogado também informou que o PGR viajaria com o grupo para Londres, mencionando em mensagens a referência a “charuto e macalan”.
No dia seguinte, o advogado escreveu que Gonet perguntou se o filho do procurador poderia acompanhar a viagem, ao que Vorcaro respondeu “óbvio, né”. Em 11 de abril, uma funcionária enviou ao ex-banqueiro a lista de pessoas com despesas pagas no passeio.
Vorcaro autorizou o custeio de apenas dois nomes. “Pedro e Ciro ok”, escreveu o ex-banqueiro, acrescentando que não seria possível bancar outras pessoas. O conteúdo integra a apuração da PF que teve o sigilo levantado por Mendonça.


