O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que as negociações para fechar uma delação premiada não avançaram porque envolveriam o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. A oitiva ocorreu nesta quinta-feira (3) sem a participação da PF.
Vorcaro, ex-dono do Banco Master, declarou que manteve relação anterior com Rodrigues, inclusive viajando para eventos juntos. Segundo o ex-banqueiro, essa proximidade teria levado delegados da PF a evitar o progresso do acordo. Ele afirmou que a colaboração poderia prejudicar pessoas que estavam “do outro lado da mesa”, mas não detalhou a alegação.
Preso desde novembro, Vorcaro relatou que não houve abertura para ser ouvido e que há interessados em impedir a divulgação de fatos que ele pretende revelar. O ex-banqueiro sinalizou disposição para nova tentativa de colaboração, incluindo informações sobre sua relação com Rodrigues e citando possíveis integrantes do governo federal e de um núcleo político.
O depoimento ocorreu sob sigilo. A defesa de Vorcaro não comentou o conteúdo da oitiva e o diretor-geral da PF não se manifestou. O ex-banqueiro também relatou ter sofrido ameaças enquanto cumpre a prisão.
Anteriormente, propostas de colaboração de Vorcaro foram recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). As autoridades alegaram que o ex-banqueiro omitiu informações e não apresentou conteúdo suficiente para justificar o acordo.
Na quarta-feira (2), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF o arquivamento de denúncias de intimidação apresentadas por Vorcaro. Gonet afirmou que não foram apresentados fatos concretos ou elementos mínimos para sustentar as acusações, mencionando que a PF rejeitou propostas anteriores por falta de informações inéditas.


