O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta quarta-feira (3) que não recebeu dinheiro nem se encontrou pessoalmente com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O parlamentar admitiu, porém, ter intermediado contatos entre o empresário e seu então assessor e advogado, Thiago Rodrigues de Faria.
A declaração ocorre após a divulgação de áudios e mensagens em que o deputado pede ajuda a Vorcaro, em março de 2025, para que Faria conseguisse liberar um ativo de minério. Segundo a apuração da imprensa, Faria atuou em negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas, com contrato prevendo remuneração de 25% sobre lucros estimados entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões.
Nikolas Ferreira justificou que apenas atendeu a um pedido do assessor. O deputado também confirmou ter utilizado um jato da Prime You, empresa ligada a Vorcaro, entre 20 e 28 de outubro de 2022, durante a campanha de Jair Bolsonaro. Ele argumentou que, na época, não havia indícios de crimes cometidos pelo empresário.
O caso ganhou repercussão após Nikolas publicar um vídeo sobre relatórios da Polícia Federal que apontam contratos de até R$ 158 milhões ligando Vorcaro à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A investigação indica que o ministro teria participado da elaboração de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da mulher e o banqueiro.
Sobre a divulgação das mensagens, o deputado classificou o episódio como uma tentativa de desviá-lo do que considera o centro do caso, chamando a situação de ‘cortina de fumaça’. Ele defendeu o afastamento cautelar de Moraes enquanto as suspeitas são apuradas.
Nikolas negou ter chamado Vorcaro de ‘lindão’ em áudios, afirmando que utiliza o apelido ‘Dani’. Declarou ainda que seu advogado rompeu a comunicação com o empresário após surgirem informações sobre um escândalo envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).


