O ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou em depoimento à Polícia Federal (PF), na última sexta-feira (28), que Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto do departamento de supervisão bancária do Banco Central (BC), tenha atuado em seu benefício dentro da instituição financeira.
A oitiva ocorreu por videoconferência enquanto Vorcaro cumpre prisão preventiva no Complexo da Papudinha. Ele foi detido em março de 2026 no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes em carteiras de crédito do Banco Master e a possível troca de vantagens por favores de integrantes do BC.
A PF identificou a existência de um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Master”, formado por Vorcaro, Paulo Sérgio e outro ex-servidor, Belline Santana. Relatórios da investigação indicam que Paulo Sérgio revisava minutas de documentos e comunicações internas do banco antes da formalização no BC, recebendo em troca serviços de luxo e transações imobiliárias.
Em resposta ao delegado Albert Paulo Sérvio de Moura, Vorcaro afirmou que conheceu Paulo Sérgio em 2017, quando tentava comprar o Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Master. O ex-banqueiro declarou que nenhum membro do Banco Central prestou serviços a ele.
Questionado sobre mensagens que sugeriam pedidos de informações a funcionários da autarquia, Vorcaro disse que apresentou apenas um plano de negócios para reestruturar a instituição. Ele alegou ter interagido com diversas áreas do BC durante a pandemia da covid-19 para ajustar pontos apontados pela supervisão.
Sobre Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Vorcaro informou ter recebido Santana e Paulo Sérgio em suas residências em Brasília e São Paulo. Segundo ele, os encontros serviram apenas para tratar de pautas relativas ao Banco Master.


