Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, declarou à Polícia Federal ter determinado o repasse de recursos para um projeto social ligado a Belline Santana, ex-chefe da Supervisão Bancária do Banco Central. O depoimento ocorreu por videoconferência na última sexta-feira (28), enquanto o banqueiro permanece preso na Papudinha, em Brasília, pela operação Compliance Zero.
Vorcaro negou ter recebido contrapartida ilegal ou ter efetuado transferência direta de vantagem econômica ao servidor. Segundo o empresário, Belline informou sobre uma iniciativa para qualificar jovens negros para cargos de liderança no mercado financeiro. Para viabilizar a destinação das verbas, o banqueiro afirmou ter encaminhado o assunto ao cunhado, Fabiano Zettel.
O fundador do Banco Master estimou que o valor transferido ficou entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões. Ele declarou não lembrar a quantia exata, mas afirmou que esse montante é habitualmente direcionado por ele a ações sociais.
Durante o interrogatório, a Polícia Federal apresentou mensagens do celular do empresário. Em outubro de 2023, Zettel mencionou a necessidade de efetuar o pagamento a Belline, e Vorcaro orientou que a operação fosse feita por meio da empresa Super, sem ligação direta com o cunhado. O banqueiro justificou a cautela devido à função de Belline no órgão regulador, mas negou que o financiamento tenha influenciado a fiscalização do Banco Central.
Vorcaro também falou sobre sua relação com Paulo Sérgio de Moura, ex-diretor de Fiscalização do BC, a quem conhece desde 2017, época da compra do Banco Máxima. O empresário negou que Moura ou qualquer outro integrante do órgão tenha prestado serviços privados ao banco, afirmando que as interações seguiam a rotina institucional.
A defesa de Vorcaro informou que não pretende se manifestar sobre os fatos relatados.


