O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) analisam a integração entre seus sistemas de pagamentos instantâneos, segundo fontes com conhecimento do assunto. A medida pode representar a primeira expansão transfronteiriça do Pix, com a possibilidade de lançamento de um projeto-piloto em 2028.
O BCE informou, em comunicado, que realiza uma investigação preliminar para explorar a interconexão entre o Pix e a plataforma TARGET Instant Payment Settlement (TIPS). Em junho, a instituição europeia identificou o sistema brasileiro como um corredor de moeda em fase de exploração para o TIPS.
O Banco Central do Brasil não comentou a análise. No mês passado, a autarquia informou que avaliava ligações entre o Pix e sistemas semelhantes no exterior. Até o momento, o BC assinou acordos de compartilhamento de informações sobre a ferramenta com 65 contrapartes estrangeiras.
A expansão do modelo brasileiro gera atritos com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, que busca proteger empresas americanas do avanço do sistema em dezenas de países. O Pix foi citado como uma prática desleal para justificar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros aplicadas em julho.
Desde o lançamento no final de 2020, a plataforma reduziu a participação de cartões de débito e crédito no Brasil, afetando redes como Visa e Mastercard. O sistema trouxe dezenas de milhões de pessoas para o mercado financeiro e reduziu custos de transação para comerciantes.
A movimentação ocorre enquanto economias emergentes discutem a redução da dependência do dólar norte-americano, o que tem aumentado o mal-estar em Washington.


