A Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço da ONU, alertou nesta quinta-feira (3) que o atual episódio de El Niño pode ser o mais potente observado desde que o monitoramento do fenômeno começou, há 40 anos. O evento eleva a temperatura no Pacífico equatorial e altera padrões de ventos e chuvas no planeta.
O fenômeno deve atingir seu ponto máximo até o final deste ano, mas os impactos climáticos devem persistir durante 2027. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o episódio atual tem potencial para provocar um golpe devastador em comunidades e economias globais, intensificando riscos de inundações, secas e calor extremo.
Na América Latina, o Equador decretou alerta vermelho. Panamá e El Salvador estabeleceram estado de emergência, situação que já resultou na redução do tráfego de navios pelo Canal do Panamá. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que o mundo está na zona de perigo do clima extremo.
Embora não seja causado pelas mudanças climáticas, a OMM indica que o El Niño agrava o aquecimento global provocado pela queima de combustíveis fósseis. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado após o último ciclo do fenômeno. Entre maio e julho, a temperatura da superfície do mar no centro-leste do Pacífico ficou 1,5°C acima do normal.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou um apelo para arrecadar US$ 110 milhões para proteger 4,9 milhões de pessoas dos efeitos do episódio. A OMM estima que a probabilidade de o fenômeno prosseguir até fevereiro é próxima de 100%.
As previsões para o período entre setembro e novembro indicam maior probabilidade de temperaturas acima do normal em quase todas as áreas continentais. O chefe de Previsão Climática da OMM, Wilfran Moufouma-Okia, disse que a intensidade do pico torna impossível prever a gravidade exata das consequências.


