O presidente Lula da Silva deve utilizar a propaganda eleitoral no rádio e na televisão para afirmar que “ninguém está acima da lei”. A medida busca posicionar o governo diante da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) provocada por revelações sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A estratégia marca uma mudança na postura da campanha petista, que anteriormente evitava o tema. O novo discurso será genérico e focado na legalidade, sem mencionar nominalmente Moraes ou outros membros da Corte.
A alteração na comunicação ganhou força após a divulgação de novos conteúdos de mensagens entre o ministro e Vorcaro. O cenário aumentou a pressão sobre o presidente, alvo de críticas de opositores que alegam a existência de uma aliança entre o governo e o STF.
Edinho Silva, presidente nacional do PT e coordenador da campanha, antecipou a linha de comunicação nesta quarta-feira (2). Em vídeo, ele defendeu mudanças nos sistemas político e judicial, afirmando que a lei se aplica a cidadãos, governantes, parlamentares e integrantes do Judiciário.
O coordenador também defendeu a criação de um código de ética para o Judiciário e o Ministério Público. Silva mencionou a necessidade de acabar com os supersalários e de combater a promiscuidade entre interesses públicos e privados.
A mudança ocorre enquanto a crise no Supremo ocupa espaço no debate eleitoral. A oposição tem utilizado a proximidade histórica entre o presidente e ministros da Corte para atacar a campanha.
Ao adotar a tese de que ninguém está acima da lei, Lula tenta se apresentar como defensor da legalidade. A manobra visa responder às críticas da oposição sem assumir posição direta sobre as suspeitas contra Moraes, evitando um rompimento político com o tribunal.


