O Ibovespa encerrou agosto em trajetória de alta, impulsionado por investidores institucionais e pessoas físicas, apesar de o investidor estrangeiro ter registrado retirada líquida de R$ 18,12 bilhões no mês. O índice fechou o período aos 177.418 pontos, após subir aproximadamente 5,7% desde 19 de agosto.
A recuperação do mercado acelerou no início de setembro, levando o índice aos 185.205 pontos no dia 2, após 11 sessões consecutivas de valorização. O fluxo de capital estrangeiro apresentou melhora no fim de agosto: as saídas acumuladas, que somavam R$ 23,20 bilhões no dia 20, foram reduzidas em cerca de R$ 5,1 bilhões até o dia 31.
No campo doméstico, os institucionais injetaram R$ 11,39 bilhões na Bolsa em agosto, enquanto pessoas físicas registraram entrada líquida de R$ 2,09 bilhões. No acumulado de 2026, os estrangeiros permanecem positivos em R$ 18,29 bilhões, embora o volume seja inferior aos R$ 56 bilhões registrados até abril, quando o índice atingiu a máxima histórica de quase 200 mil pontos.
Jean Van de Walle, Chief Investment Officer da Sycamore Capital Family Office, afirmou que a melhora do fluxo está relacionada à percepção de que a disputa presidencial pode estar mais apertada. Segundo Van de Walle, o movimento é de curto prazo e motivado por eventos, não representando uma mudança estrutural de alocação.
Gustavo Assis, CEO da Asset, e André Matos, CEO da MA7 Capital, concordam que é cedo para falar em virada duradoura. Assis atribui a volta do capital ao valuation, com empresas brasileiras negociando a preços mais atrativos. Matos argumenta que a diversificação de carteiras globais e a procura por mercados emergentes também favorecem o Brasil, que combina juros elevados e exposição a commodities.
Um relatório do Itaú BBA indica que investidores locais reduziram níveis de caixa para aproveitar preços baixos e a perspectiva de flexibilização monetária. A preferência de compra concentra-se em infraestrutura, utilities, exportadoras e construtoras de baixa renda, com maior cautela em setores dependentes do consumo cíclico e crédito.


