Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que ofereceu um serviço de consultoria de luxo como um “agrado” a Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, para uma viagem com a família aos Estados Unidos, segundo depoimento divulgado nesta quinta-feira (3).
O depoimento ocorreu por videoconferência no dia 28 de agosto, enquanto Vorcaro permanece preso preventivamente na Papudinha, em Brasília, devido à operação Compliance Zero. O empresário explicou que já utilizava a SL Consulting e costumava disponibilizar o serviço de concierge a outras pessoas. A viagem aos parques da Disney e da Universal, em Orlando, teria ocorrido no início de 2024.
Léo Serrano, proprietário da SL Consulting, também prestou depoimento à Polícia Federal no dia 24 de agosto. Na época da viagem, Paulo Sérgio já não ocupava a diretoria de Fiscalização, atuando como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) da autoridade monetária.
A investigação indica que o ex-diretor prestava uma “consultoria informal” para Vorcaro em temas de interesse do Banco Master. O ministro André Mendonça, ao autorizar a operação, afirmou que o servidor funcionava como um empregado ou consultor do empresário para assuntos de interesse privado, trocando mensagens e orientando a redação de ofícios.
O Banco Central informou que a revisão interna de processos de fiscalização identificou indícios de vantagens indevidas recebidas por dois integrantes do quadro permanente. A Polícia Federal apura que Paulo Sérgio e Belline Santana, também chefe-adjunto do Desup, mantinham relacionamento ilícito com o fundador do banco, recebendo valores mensais via estruturas empresariais para ocultar os pagamentos.
Ambos os servidores foram afastados do Banco Central por ordem do Supremo Tribunal Federal. A defesa de Vorcaro declarou que não pretende se manifestar sobre os fatos. O ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza não foi localizado para comentar as acusações.


