A maioria dos cidadãos canadenses apoia a decisão de seu governo de interromper negociações comerciais com os Estados Unidos, segundo pesquisas recentes. No lado americano, a maior parte da população discorda da postura do governo de Donald Trump e defende a busca por um compromisso para encerrar o impasse.
As negociações entre os dois países colapsaram no mês passado. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, criticou mudanças de última hora solicitadas pelos EUA, classificando-as como injustas. Em resposta, o presidente Donald Trump acusou o Canadá de prejudicar os Estados Unidos há décadas e descreveu o país como irracional.
Após a ruptura, os EUA implementaram tarifas de 50% sobre bilhões de dólares em produtos canadenses. O governo de Carney anunciou tarifas retaliatórias que entram em vigor no dia 8 de setembro. A tensão aumentou na última semana, quando Trump assinou uma ordem executiva para renomear o Lago Ontário para “Lake America”.
Uma pesquisa da Ipsos revelou que quase 70% dos americanos acreditam que os EUA devem estar abertos a um compromisso, mesmo que nem todas as exigências sejam atendidas. Além disso, 46% dos entrevistados culpam o governo americano pelo colapso das relações, enquanto apenas 12% atribuem a culpa ao Canadá. Mais de 60% dos americanos rejeitam a mudança de nome do lago.
No Canadá, 63% dos entrevistados consideram correta a decisão de abandonar as conversas, mesmo diante de possíveis perdas de empregos e custos mais altos. Outra pesquisa do Angus Reid Institute indica que 69% veem a recusa de Carney a um “acordo ruim” como demonstração de força. Apesar disso, 89% dos canadenses temem que a guerra comercial afete os preços internos.
O cenário político reflete a divergência. A aprovação de Donald Trump está em 38%, com queda de 14 pontos desde janeiro. Já o governo de Mark Carney teve alta de quatro pontos, atingindo 56% de aprovação. Carney atribui a vitória de seus candidatos em três eleições especiais recentes ao apoio popular à sua estratégia de diversificar parceiros comerciais.
Carney afirmou que aceitaria retomar as negociações apenas se os oficiais americanos pararem de insultar e ridicularizar o Canadá. Trump, questionado na quarta-feira sobre a possibilidade de novas conversas, reiterou que o país vizinho explora os Estados Unidos há décadas.


