O presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou nesta quinta-feira (3) a existência de planos para uma nova rodada de mobilização militar para a guerra na Ucrânia. Durante o Fórum Econômico do Oriente, em Vladivostok, ele classificou os rumores como uma operação de informação de Kiev para interferir nas eleições para a Duma, a Câmara baixa do Parlamento.
A votação para a Duma ocorrerá entre os dias 18 e 20 de setembro, sendo a primeira desde o início do conflito, há quatro anos e meio. O governo russo enfrenta alertas internos devido à alta da inflação e escassez de combustíveis. Segundo a cientista política Ksenia Smolyakova, há temor no Kremlin de que eleitores descontentes manifestem frustrações nas urnas.
Putin afirmou que as tropas russas avançam diariamente em todas as áreas da linha de contato. Segundo o presidente, as perdas do exército ucraniano aumentam mensalmente, com baixas estimadas entre 8 mil e 12 mil pessoas por mês. Ele declarou que não existe cenário atual que exija a mobilização de novos soldados.
A última convocação militar ocorreu em setembro de 2022 e causou a saída de centenas de milhares de homens para países como Cazaquistão, Armênia e Geórgia. Ativistas alegam que as convocações atingiram desproporcionalmente minorias étnicas e áreas pobres. Putin negou as acusões e afirmou que os combatentes russos estão na Ucrânia por vontade própria, enquanto acusou Kiev de arrastar soldados à força para a frente de batalha.
Sobre a possibilidade de encerrar o conflito, o presidente disse que há chance de um acordo de paz e que os dois lados mantêm contatos indiretos constantes, principalmente via serviços de segurança. No entanto, ele manteve exigências que incluem a permanência de territórios ocupados e restrições à autonomia ucraniana em relação a blocos multilaterais.


