A cúpula do Partido Social Democrático (PSD) avalia que o crescimento repentino de Augusto Cury (Avante) na disputa pela Presidência da República pode ter relação com a atuação coordenada de robôs e perfis impulsionados nas redes sociais, segundo a apuração da imprensa local.
A avaliação feita nos bastidores do partido de Gilberto Kassab indica que a exposição digital teria ajudado Cury a atrair eleitores e avançar nas pesquisas de intenção de voto. O movimento ocorreu enquanto o candidato ultrapassou concorrentes que disputam o espaço de terceira via, como Caiado.
As suspeitas ganharam força após páginas que publicaram conteúdos favoráveis ao candidato serem relacionadas a uma investigação da Polícia Federal (PF). O órgão apura a atuação de influenciadores que teriam recebido dinheiro para promover campanha contra o Banco Central durante crise envolvendo o Banco Master. Não há comprovação de que a PF tenha identificado pagamentos da campanha de Cury a esses perfis.
Augusto Cury negou irregularidades nesta quarta-feira (2), em agenda em Belo Horizonte. O candidato afirmou que o apoio nas redes foi “completamente espontâneo e maravilhoso” e declarou que a campanha gasta entre R$ 20 mil e R$ 50 mil com impulsionamento digital. A equipe de Cury atribui a alta à maior exposição do candidato após debate na Band e sabatinas.
O avanço nas pesquisas é expressivo. No levantamento BTG/Nexus divulgado na segunda-feira (31), Cury saltou de 2% para 11%, assumindo o terceiro lugar, atrás de Lula (PT), com 39%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%. A AtlasIntel registrou subida de 1,6% para 7,8%.
Outras sondagens confirmam o novo patamar. O Real Time Big Data, de terça-feira (1º), indicou 11% para o candidato. A Quaest, na quarta-feira (2), apontou 10%, enquanto o levantamento Futura/Apex, divulgado nesta quinta-feira (3), registrou 9,9%, com Lula com 38,7% e Flávio Bolsonaro com 33,6%.


