O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, demitiu nesta quinta-feira (3) o deputado federal Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil. A decisão, publicada no Diário Oficial, fundamenta-se em um procedimento irregular de natureza grave e encerra um processo de análise jurídica iniciado em 2022.
Da Cunha respondia a processos administrativos disciplinares na corporação desde 2020. Entre as acusações, consta a simulação de um flagrante de estouro de cativeiro de sequestro na Zona Leste de São Paulo, em julho de 2020. A Corregedoria da Polícia Civil apurou que o delegado ordenou que a cena fosse refeita com a vítima e o sequestrador para a gravação de vídeos.
As imagens foram publicadas em redes sociais e programas de televisão. O parlamentar possui quase 2 milhões de seguidores no Instagram. Por esse episódio, o Ministério Público o acusou criminalmente, e a Justiça o tornou réu este ano, embora ainda não tenha ocorrido o julgamento.
Outras investigações pesam contra o deputado. Em 2021, a Corregedoria da Polícia Civil o indiciou por suspeita de peculato. Ele também é réu em um processo de violência doméstica por agressão e ameaça de morte contra a ex-companheira, ocorrida em 2023 em Santos, no litoral paulista.
A recomendação pela demissão foi feita em 2022 e passou pela gestão do ex-governador Rodrigo Garcia antes de chegar à Assessoria Jurídica do Governo. Tarcísio de Freitas detinha a decisão desde janeiro de 2023, prazo em que a sanção poderia expirar se não fosse aplicada em cinco anos.
Da Cunha estava afastado da Polícia Civil e não recebia salário por exercer o mandato de deputado federal em Brasília. Pela legislação paulista, a demissão de delegados é competência exclusiva do governador. O gabinete do deputado não respondeu aos pedidos de manifestação.


