As taxas do Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em baixa nesta quinta-feira (3), completando a terceira sessão consecutiva de recuo. O movimento foi impulsionado pela queda dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos e pela expectativa de investidores quanto à divulgação de nova pesquisa eleitoral do Datafolha.
A taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou o dia em 13,585%, registrando baixa de 8 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 13,661%. No vencimento de janeiro de 2035, a taxa marcou 14,28%, com recuo de 9 pontos-base frente aos 14,369% da sessão anterior. No acumulado dos últimos três dias, as taxas para 2028 e 2035 cederam 23 e 31 pontos-base, respectivamente.
O cenário externo contribuiu para a tendência, com o rendimento do Treasury de dez anos recuando para 4,76%. O movimento ocorreu após o diretor do Federal Reserve, Christopher Waller, afirmar que poderá defender a manutenção dos juros nos EUA este mês, caso os dados confirmem a redução das pressões inflacionárias. Segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o tom brando de Waller ajudou a corrigir a curva americana, tendência acompanhada pelo Brasil.
No âmbito interno, a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro influencia os ativos. Uma pesquisa da Quaest, divulgada na quarta-feira, mostrou os dois candidatos tecnicamente empatados no segundo turno. O mercado vê a reeleição de Lula como um risco ao controle das contas públicas e da inflação, fazendo com que notícias favoráveis a Flávio resultem em queda do dólar e redução de prêmios na curva a termo.
Investidores consolidam apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortará a taxa Selic, atualmente em 14%, em 25 pontos-base em setembro, com possibilidade de nova redução em novembro. O movimento é baseado na desaceleração da atividade econômica brasileira e no fator político. Praça informou que os ativos abrem caminho para cortes até o fim do ano, mas não indicam continuidade do movimento em 2027.
No leilão semanal de títulos prefixados realizado nesta quinta-feira, o Tesouro Nacional vendeu 19 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e 14 milhões de Notas do Tesouro Nacional — Série F (NTN-Fs). Na semana anterior, as colocações haviam sido de 23 milhões de LTNs e 8 milhões de NTN-Fs.


