A União Europeia (UE) suspendeu, nesta quinta-feira (3), a entrada de produtos de origem animal do Brasil em seus 27 países-membros. A medida atinge carnes bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos, com impacto potencial de US$ 2 bilhões anuais nas exportações brasileiras.
O bloqueio ocorre porque o bloco considera insuficientes os mecanismos brasileiros de controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A UE proíbe o emprego dessas substâncias para estimular o crescimento de animais ou o uso de medicamentos reservados a infecções humanas. A União Europeia informou que não identificou contaminação ou irregularidades sanitárias nos lotes, mas questiona a rastreabilidade do sistema nacional.
O governo brasileiro contesta a decisão e afirma que a legislação do país já restringe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento. Para reverter a suspensão, o governo proibiu substâncias específicas e elaborou um protocolo de rastreabilidade do animal do nascimento ao abate. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) declarou que todas as empresas associadas e habilitadas para o mercado europeu já aderiram ao protocolo.
A carne bovina é o segmento mais afetado, respondendo por US$ 1,7 bilhão em exportações para a UE em 2025. Por exigir rastreamento em todo o ciclo de vida do animal, a retomada deste setor pode levar anos, já que um bovino leva entre 24 e 36 meses para chegar ao abate sob as novas regras. Já a cadeia do frango, com ciclo de 45 dias, espera retomar as vendas ainda em 2026.
Técnicos da UE realizam auditoria nas cadeias de frango e mel no Brasil até esta sexta-feira (4). O resultado será analisado pelas autoridades europeias em um processo que pode durar dois meses. No caso do mel, as exportações para a Europa haviam dobrado no primeiro semestre de 2026, atingindo US$ 6,3 milhões, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).
Representantes do agronegócio classificam a medida como protecionista, enquanto autoridades europeias sustentam que se trata de cumprimento de normas regulatórias. A suspensão não afeta a comercialização interna no Brasil nem as vendas para outros mercados, como o Oriente Médio, embora a substituição de compradores seja difícil devido à demanda por cortes específicos de maior valor agregado.


