O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) admitiu, nesta quinta-feira (3), que utilizou um avião ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro durante o segundo turno das eleições de 2022. O parlamentar viajou por capitais do Nordeste para apoiar a campanha de Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que, na época, não havia indícios de irregularidades contra o empresário.
A declaração ocorre após a divulgação de áudios e mensagens em que o deputado chama Vorcaro de “Dani” e propõe intermediar um negócio envolvendo um ativo minerário de um amigo advogado. Nikolas confirmou a autenticidade das conversas, mas classificou o conteúdo como irrelevante. Ele informou que o contato foi intermediado pelo pastor André Valadão e por pessoas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha, em Minas Gerais.
Registros indicam que o grupo percorreu a região Nordeste durante cinco dias. Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram que o ex-banqueiro teria custeado todos os voos e manifestou irritação com críticas posteriores feitas pelo deputado. Em março de 2025, Nikolas teria enviado nova mensagem ao empresário após questionar publicamente o patrocínio do Banco Master a um evento em Londres, admitindo que teria conversado com ele se soubesse da propriedade do banco.
O parlamentar nega ter recebido dinheiro de Vorcaro, afirmando que não mantém relação financeira com ele. Nikolas classificou a divulgação dos diálogos como uma tentativa de criar uma “cortina de fumaça” diante de investigações que envolvem o ex-banqueiro e outras autoridades. O deputado também citou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em suas críticas.
A Igreja Batista da Lagoinha aparece como ponto de conexão entre Vorcaro e políticos. Fabiano Zettel, ex-pastor da instituição e cunhado do ex-banqueiro, é apontado como operador financeiro de Vorcaro e doador de campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. A apuração também menciona que o deputado Cezinho de Madureira teria intermediado um encontro entre o empresário e o ministro André Mendonça, do STF.
As relações entre o grupo do Banco Master e autoridades brasileiras passaram a ser investigadas após a crise na instituição financeira. Até o momento, as informações divulgadas não comprovam que Nikolas Ferreira tenha cometido crimes ou recebido recursos ilícitos.


