Integrantes do serviço de inteligência militar (HUR) e do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) trocaram tiros na manhã de quarta-feira (2), nas ruas de Kiev. O confronto deixou três agentes da inteligência militar feridos, um deles em estado grave, e resultou em uma repressão pública do presidente Volodymyr Zelensky.
O embate aconteceu do lado de fora do apartamento de Stepan Kaplunov, comandante da inteligência militar e vice-comandante do Corpo de Voluntários Russos. O SBU acusou Kaplunov de planejar um assassinato a mando da Rússia e afirmou que ele confessou ser espião. O militar, que estava desaparecido desde 23 de agosto, negou as acusações e disse que a confissão foi obtida sob coerção após ser capturado e vendado por agentes da inteligência interna.
O comandante da HUR, Oleksiy Serediuk, informou que o confronto começou após agentes do SBU tentarem realizar buscas no imóvel. Segundo Serediuk, a inteligência interna não havia respondido a questionamentos sobre a custódia de Kaplunov. O advogado do comandante, Taras Borovsky, relatou que tiros foram disparados por volta das 8h30, quando agentes da inteligência interna detiveram integrantes da inteligência militar.
Em discurso à nação na noite de quarta-feira, Volodymyr Zelensky classificou o episódio como um “evento absolutamente vergonhoso”. O presidente afirmou que tiros na Ucrânia só são permitidos contra ocupantes russos e determinou que o procurador-geral investigue o confronto e os comandantes das unidades envolvidas.
Kyrylo Budanov, chefe de gabinete do presidente e ex-chefe da inteligência militar, reforçou a crítica ao declarar que ninguém tem o direito de sequestrar militares ilegalmente ou atirar nas ruas. O SBU admitiu que seus agentes abriram fogo após encontrarem resistência durante a operação no apartamento.
A inteligência militar divulgou comunicado nesta quinta-feira (3) afirmando que Kaplunov é alvo de uma campanha de desinformação para desacreditá-lo. Serediuk afirmou que o confronto foi provado por atividades ilegais do SBU e negou a versão da agência interna de que teria sido impedido um ataque terrorista.


