A intensificação de ataques russos contra portos e embarcações da Ucrânia no Mar Negro colocou governos europeus em alerta para o risco de uma nova crise de alimentos. A escalada, iniciada em julho, ocorre durante o pico da colheita agrícola e afeta a exportação de milho, cevada e trigo para a Europa.
O volume de produtos agrícolas e siderúrgicos exportados mensalmente pelos portos de Odesa, Chornomorsk e Pivdenny era de 6 milhões de toneladas antes da retomada dos ataques. Atualmente, o fluxo caiu para 4,5 milhões de toneladas transportadas por rotas alternativas, segundo autoridades ucranianas e europeias.
As rotas de solidariedade, criadas pela União Europeia (UE) via ferrovias, rodovias e vias fluviais, não substituem integralmente o transporte marítimo. Uma das principais vias, que conecta a Ucrânia ao porto romeno de Constança pelo rio Danúbio, enfrenta uma seca de verão considerada sem precedentes na região.
Ministros das Relações Exteriores da UE se reuniram na Irlanda nesta quarta-feira (2) para discutir o abastecimento alimentar e defenderam um cessar-fogo imediato. A preocupação envolve possíveis impactos na inflação, nas receitas do governo ucraniano e nos fluxos migratórios.
A Ucrânia respondeu às ações de Moscou com ataques de drones e mísseis contra instalações e navios russos. O acúmulo de grãos em território ucraniano elevou os custos de transporte e derrubou os preços domésticos dos produtos.
Agricultores enfrentam dificuldades para armazenar a nova produção no início da temporada de plantio. A combinação de custos logísticos altos e preços internos baixos pode levar produtores à insolvência, dificultando o financiamento da próxima safra.


