O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF), na sexta-feira (28), que a decisão do Banco Central (BC) de rejeitar a fusão com o Banco de Brasília (BRB) foi uma “grande surpresa”. O empresário alegou que a operação foi tratada como viável pela autarquia durante seis meses.
Vorcaro relatou que o modelo da operação sofreu alterações ao longo das negociações devido a diversas solicitações do BC para mudar a proposta original. Segundo o executivo, a instituição mantinha uma postura de concordância e incentivo para que a fusão fosse concluída.
O empresário atribuiu a impossibilidade do acordo a “pressões midiáticas”. Para ele, ataques divulgados pela imprensa prejudicaram a união entre as instituições financeiras. A aproximação visava ampliar a estrutura do Master e dar continuidade às suas operações no mercado.
A diretoria do BC rejeitou a fusão por unanimidade em setembro de 2025. A operação permitiria que o Banco Master assumisse o controle do BRB, que é uma instituição pública vinculada ao Governo do Distrito Federal.
Mesmo com a negativa do órgão regulador, o banco público adquiriu R$ 12 bilhões em carteiras de créditos do Master. O valor foi registrado como prejuízo pelo BRB.
O depoimento ocorreu por videoconferência, já que Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele foi acompanhado pelos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski e Thiago Machado. O Banco Central não respondeu aos questionamentos sobre as declarações do empresário.


