O ministro Alexandre de Moraes solicitou, em decisão publicada nesta quinta-feira (3), que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, investigue o colega André Mendonça. O pedido baseia-se em relatórios da Polícia Federal que indicam tentativas de Mendonça de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e de transformar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em testemunha.
Segundo Moraes, Mendonça teria ameaçado o afastamento cautelar de Rodrigues sob a alegação de que o diretor mantinha proximidade inadequada com o presidente da República. No caso de Gonet, o relatório indica que o ministro o considerava indigno de confiança devido à proximidade com Gilmar Mendes. O documento da PF registra que, até o momento, Mendonça não apresentou fatos concretos de irregularidade do diretor-geral.
Os documentos de inteligência, enviados pela PF após determinação de Moraes no inquérito das fake news, apontam três eixos de suspeitas. O primeiro envolve interferência em investigações, com a PF afirmando que Mendonça teria atuado como investigador ao solicitar dados brutos e questionar a escolha de alvos, comprometendo a cadeia de custódia de provas.
O segundo ponto trata de supostas negociações de colaboração premiada nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, atividade vedada a juízes por lei. Já o terceiro eixo aponta um possível direcionamento de apurações, com interesse de Mendonça em aprofundar investigações contra o próprio Moraes e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A movimentação ocorre durante disputa sobre o caso Banco Master, no qual Mendonça é relator. A PF produziu um relatório de 218 páginas sobre uma rede de influência ligada ao banqueiro, sendo quase 190 páginas focadas em Moraes. O procurador-geral Paulo Gonet defendeu a nulidade de ordens de Mendonça, alegando extrapolação de atribuições.
Mendonça defendeu que os elementos do caso Master sejam analisados publicamente pelo plenário do STF. O pedido de investigação encaminhado a Fachin não gera a abertura automática de processo, dependendo da avaliação do presidente da Corte sobre as providências necessárias.


