A entrada em vigor de uma nova etapa da Reforma Tributária em janeiro de 2027 prevê a alíquota zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a maioria dos itens, mas a medida não garante a redução de preços de carros, eletrodomésticos e eletrônicos para o consumidor final.
A alteração integra a transição para um novo sistema de tributação sobre o consumo, no qual o IPI, o PIS, a Cofins, o ICMS e o ISS serão substituídos gradualmente pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Diferente de reduções temporárias anteriores para estimular o consumo, a mudança atual visa a reestruturação do modelo arrecadatório.
Especialistas indicam que a reforma foi desenhada para manter a arrecadação em níveis semelhantes aos atuais. Alguns produtos poderão sofrer a incidência do Imposto Seletivo, criado para bens prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, e a tributação de automóveis continuará existindo dentro do novo sistema.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que não é possível estimar os efeitos da mudança no setor automotivo porque as alíquotas definitivas da CBS, do IBS e do Imposto Seletivo ainda não foram divulgadas. O custo final dependerá também de logística, matérias-primas, concorrência e condições de crédito.
No setor de veículos, a competição entre fabricantes tem pressionado os valores. Um levantamento da Bright Consulting mostrou que o preço médio pago por carros novos caiu 3,5% em 2026, baixando de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil. A análise aponta que a expansão de fabricantes chinesas teve papel importante nesse movimento.
Fatores externos como preços de petróleo, energia e frete também influenciam os custos industriais independentemente da carga tributária. A precisão sobre o impacto nos preços deve surgir conforme as regras da reforma forem regulamentadas.


