O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e confessou que pagamentos a um fundo no Texas, administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro, foram feitos com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo o depoimento, as transferências foram solicitadas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro. O argumento utilizado era de que a verba financiaria a produção do filme “Dark Horse”, obra sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa de Freixo Júnior e a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestaram.
Freixo Júnior entregou documentos que comprovam que os repasses para o fundo Havengate originaram-se de uma conta conjunta mantida com Vorcaro. O empresário apresentou comprovantes de operações de câmbio para o envio dos recursos ao exterior, o que pode auxiliar a apuração de suspeitas de evasão de divisas. O depoimento confirma fluxo atípico identificado pelo Banco Central (BC), em que o dinheiro saía da Entrepay, passava pelas Bahamas e chegava aos Estados Unidos. A instituição financeira foi liquidada pelo BC em março.
O acordo de colaboração foi enviado na semana passada ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O magistrado marcou audiência para a próxima terça-feira (8) para ouvir o colaborador sobre a voluntariedade do pacto, etapa necessária para a homologação jurídica do documento como prova.
Diálogos do celular de Daniel Vorcaro indicam que Flávio Bolsonaro pediu, em 2025, US$ 24 milhões para a produção do filme. As conversas apontam o pagamento efetivo de pelo menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões na época). Flávio teria indicado a conta do fundo Havengate para os repasses, que foram operacionalizados pela empresa de Freixo Júnior.
A Polícia Federal (PF) abriu inquérito, com autorização de Mendonça, para investigar crimes nesses pagamentos. A apuração busca identificar se os recursos foram utilizados para custear as despesas da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Freixo Júnior afirmou aos investigadores que apenas executou ordens de Vorcaro e não tinha conhecimento da utilização final do dinheiro.


