O candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, protocolou nesta quinta-feira (3) no Senado Federal pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. As denúncias foram endereçadas ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que decidirá se arquiva ou admite os processos por crime de responsabilidade.
As petições foram apresentadas um dia após a divulgação de relatório da Polícia Federal (PF) sobre a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, tornado público pelo ministro André Mendonça, detalha contratos de honorários, propostas de transferência de cotas de aeronaves e viagens de luxo oferecidas a Moraes e seus familiares.
Renan Santos argumenta que Moraes cometeu crime de responsabilidade ao proceder de modo incompatível com a honra e a dignidade da função. O político afirmou que o ministro teria recebido vantagens ilícitas e atuado como sócio do banqueiro, sugerindo a expectativa de contrapartidas nos negócios.
Sobre Dias Toffoli, a denúncia cita a participação societária do ministro em um resort no interior do Paraná. O local teria recebido ao menos R$ 35 milhões de fundos ligados a empresas de Vorcaro. Para o candidato, o montante é incompatível com uma relação comercial legítima, dado que o magistrado tinha atuação direta sobre interesses do grupo econômico.
Nesta semana, Renan também criticou Toffoli após o ministro suspender sua campanha digital por irregularidades em 16 perfis de redes sociais. A atividade foi liberada na terça-feira (1) após a regularização dos cadastros. O candidato alegou que a decisão não foi coincidência, já que publicava conteúdos sobre o caso Banco Master.
Davi Alcolumbre não informou se dará seguimento aos pedidos. Em declaração na última terça-feira (1), o presidente do Senado afirmou que existem 109 pedidos de impeachment contra ministros, classificando a situação como não normal. O processo segue o rito de análise inicial pelo presidente, possível comissão especial e julgamento final no plenário.


