O piloto Mauro Mattosinho afirmou que as viagens realizadas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em aeronaves de terceiros podem ser rastreadas para identificar quem custeou os deslocamentos. Segundo Mattosinho, registros da aviação executiva e documentos de voos internacionais permitem verificar a origem das aeronaves e os responsáveis pelos pagamentos.
O piloto declarou que as viagens do parlamentar podem ser confirmadas como custeadas por Daniel Vorcaro, empresário do Banco Master. Mattosinho explicou que Vorcaro teria adquirido uma empresa de táxi aéreo, o que viabilizaria a utilização de aviões por meio de fretamentos. Ele questionou a ausência de notas fiscais que comprovem o pagamento dos trajetos atribuídos ao deputado.
Entre os casos citados está uma viagem de Nikolas Ferreira ao Paraguai para acompanhar um jogo do Cruzeiro, partindo de Belo Horizonte com amigos. O piloto relatou que a aeronave pertenceria à empresa Cedro, que teria informado a impossibilidade de fretar o avião. Por esse motivo, o deputado teria viajado como convidado de Lucas Kalas.
Para comprovar a movimentação, Mattosinho mencionou a geração do GDEC, documento de voos internacionais, e a existência de câmeras de segurança no hangar da Cedro. Ele afirma que tais registros podem ajudar a reconstruir a dinâmica dos voos e a identificação de quem acessou o local.
O piloto trabalhou na Táxi Aéreo Piracicaba a partir de novembro de 2023 e afirma ter registrado voos e passageiros durante um ano e meio. O levantamento começou após reportagens de maio de 2024 relacionarem empresários da empresa a investigações de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Mattosinho informou que encaminhou denúncias às autoridades envolvendo nomes como o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Na semana passada, ele prestou novo depoimento à Polícia Federal na Operação Compliance Zero, mas não revelou o conteúdo por conta do sigilo do procedimento.


