Políticos da oposição e senadores criticaram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que apontou indícios de improbidade administrativa e crime de responsabilidade na conduta do colega André Mendonça. A medida é vista por parlamentares como uma retaliação após a divulgação de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que Moraes transformou a investigação em instrumento de “poder pessoal”. Para o parlamentar, houve uma inversão de valores, já que o ministro citado nas mensagens do caso Master deveria prestar esclarecimentos em vez de usar poderes investigativos contra quem supervisiona a apuração.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) informou que acionará o presidente do STF, Edson Fachin, para apurar a conduta de Moraes. Viana solicitou a preservação de logs, registros de acesso e comunicações para verificar se as prerrogativas do cargo foram usadas para constranger o colega de Corte.
Outras reações incluíram ataques diretos. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), acusou Moraes de aniquilar quem ameace a seu poder, enquanto a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) classificou a decisão como arbitrária e defendeu a saída do ministro do tribunal.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) questionou o uso do Inquérito das Fake News para acusar um colega que levou ao STF investigações que alcançam o próprio Moraes. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) resumiu a situação como uma inversão entre investigador e investigados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou vídeo sobre o caso Master sem citar Moraes nominalmente. Lula defendeu que políticos e agentes públicos sejam investigados sem blindagem e cobrou do presidente do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, a garantia da integridade das investigações.


