O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, apresentou duas notas fiscais de uma alfaiataria de luxo que somam R$ 26.430. A medida visa rebater a suspeita de que ele teria recebido ternos como presente de pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A hipótese de pagamento por terceiros surgiu após a divulgação de conversas que revelaram tentativas de aproximação de Vorcaro com o magistrado. A articulação teria sido feita pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira, do PL de São Paulo.
Em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025, Ciro Rocha Soares afirmou a Vorcaro que havia levado o ministro ao alfaiate Vasco Vasconcellos para confeccionar um terno. No entanto, o gabinete de Mendonça juntou comprovantes de que, na mesma data, foram pagos R$ 16,5 mil por camisas e ternos sob medida, em nota registrada no nome de sua esposa, Janey Nagliatti Mendonça.
Uma segunda nota, datada de 28 de fevereiro de 2025, registra o pagamento de R$ 9,9 mil em blazers e acessórios na mesma loja. A divulgação dos documentos ocorreu após a revelação de que Mendonça recebeu o ex-banqueiro em março de 2025, em reunião fora da agenda oficial, no escritório do Instituto Iter.
Mendonça afirmou em nota que recebeu Vorcaro apenas uma vez, por iniciativa do empresário, e que se limitou a ouvi-lo. O ministro declarou ainda ter atendido o advogado do empresário e que os memoriais escritos sobre o encontro constam nos registros do gabinete.
A apuração indica que Ciro e Cezinha conversaram com o ministro sobre problemas do Banco Master no Banco Central. Em outro áudio, o advogado afirmou que Mendonça queria receber Vorcaro e que o magistrado estaria ciente da situação do banco.


