O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou, em vídeo publicado nesta quinta-feira (3), que Augusto Cury (Avante) é sócio de uma empresa que tentou adquirir o extinto Banco Master de maneira fraudulenta. Santos também alegou que Cury contratou influenciadores ligados ao banco para divulgar sua candidatura.
De acordo com as acusações, Cury teria cotas da Fictor, holding de investimentos que tentou realizar uma operação bilionária para comprar o Banco Master. A transação fracassou após o Banco Central decretar a liquidação da instituição financeira, o que gerou uma crise de liquidez na Fictor.
Em fevereiro de 2026, a Fictor entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 4,2 bilhões. Cury havia aplicado R$ 31,5 milhões em uma Sociedade em Conta de Participação (SCP) da empresa em 2025 para financiar a compra e venda de grãos. Com a anulação judicial dos contratos, o valor tornou-se crédito comum, colocando o candidato como um dos maiores credores pessoa física do grupo.
O candidato do Avante não é investigado na operação Compliance Zero nem foi apontado como participante de atos ilícitos da Fictor. A polêmica envolve ainda a contratação de páginas de entretenimento, como Alfinetei, Alfinetada, Babadeira e Diferentona, que teriam publicado 17 conteúdos favoráveis a Cury, somando 3,7 milhões de interações.
Tais perfis são investigados por possíveis repasses de Vorcaro para ataques ao Banco Central. A movimentação nas redes coincidiu com a subida de Cury na pesquisa Nexus/BTG, que registrou salto de 2% para 11% nas intenções de voto. Se comprovada a manipulação de métricas ou a contratação irregular, Cury pode sofrer multas e a cassação do registro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A assessoria de Augusto Cury e o grupo Fictor não responderam aos questionamentos sobre as declarações de Renan Santos até a publicação da matéria.


