Cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln chegaram ao porto de Laem Chabang, na Tailândia, nesta quarta-feira, para cinco dias de descanso. A tripulação completou nove meses seguidos no mar sem escalas, resultado de uma crise logística causada pela guerra com o Irã.
A Marinha dos EUA opera atualmente com 20 navios na região, incluindo dois porta-aviões e 12 contratorpedeiros que impõem um bloqueio aos portos iranianos. A estrutura de suprimentos foi comprometida após o Irã destruir, no dia 28 de fevereiro, uma base logística fundamental no Bahrein. Outros portos locais tornaram-se inacessíveis devido ao alcance de mísseis e drones iranianos.
Para manter a operação, que exige 420 mil refeições e oito milhões de galões de combustível por semana, os navios de abastecimento agora percorrem 3,5 mil quilômetros até a ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico. A alternativa é seguir para Cingapura, a 5,9 mil quilômetros de distância, atravessando o Estreito de Malaca.
A falta de bases próximas obriga a Marinha a realizar reabastecimentos no mar a cada cinco ou seis dias. O procedimento exige que as embarcações naveguem juntas, a cerca de 45 metros de distância, conectando-se por cabos de aço e helicópteros para transferir comida e combustível, operação considerada perigosa devido a ventos e correntes marítimas.
Parlamentares americanos questionam o Pentágono sobre relatos de exaustão, emergências de saúde mental e falta de água e alimentos a bordo. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que tais relatos foram “deturpados”, enquanto a Marinha admitiu que as condições de trabalho têm sido difíceis.
Paralelamente, o inspetor-geral adjunto para avaliações, Randolph Stone, alertou em 6 de agosto sobre a deterioração de 11 instalações militares no Pacífico. O relatório aponta mofo, amianto e tetos desabando. Na Base Aérea de Kadena, que abriga US$ 836 milhões em munições, fotos mostram hangares com buracos e corrosão. Mark Sinder, secretário-adjunto para modernização da infraestrutura, disse que os Departamentos Militares coordenarão a correção das deficiências.


