As propostas para a educação dos candidatos à Presidência revelam divisões sobre a Lei de Cotas e a expansão de escolas cívico-militares no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a ampliação das reservas de vagas e rejeita a militarização, enquanto adversários propõem a extinção de cotas raciais e a presença de militares nas escolas.
Renan Santos promete abolir o sistema de cotas e substituí-lo por bolsas baseadas em desempenho. Flávio Bolsonaro defende a troca de reservas raciais por critérios socioeconômicos, proposta que foi rejeitada pelo Senado em 2023 por 46 votos a 24. Romeu Zema também questiona as cotas por raça e defende o mérito, afirmando que o país não suporta mais quatro anos dessas políticas.
O presidente Lula argumenta que as cotas criam condições para que qualquer pessoa, independentemente de cor ou religião, acesse a universidade. A Lei de Cotas, de 2012, reserva 50% das vagas em instituições federais para alunos de escola pública, com critérios de renda e raça. Em 2023, a legislação foi atualizada para incluir quilombolas e ampliar ações na pós-graduação.
Na educação básica, o número de escolas militarizadas nas redes estaduais e municipais saltou de 48, em 2014, para 1.389 em 2026, segundo levantamento do professor Fernando Cássio, da USP. Com as unidades privadas, o total chega a 1.578. Em 70 municípios, não há alternativa de ensino público tradicional em pelo menos uma etapa da educação básica.
Flávio Bolsonaro quer retomar o programa federal de escolas cívico-militares, enquanto Renan Santos propõe a criação emergencial de unidades em regiões com alta criminalidade. Romeu Zema defende parcerias com escolas militarizadas. Ronaldo Caiado, governador de Goiás, ampliou a rede de colégios da Polícia Militar em seu estado, mas não apresenta proposta nacional específica.
Augusto Cury propõe focar no desenvolvimento socioemocional de alunos e professores para enfrentar problemas de disciplina e aprendizagem, sem defender a militarização ou propor mudanças nas cotas. Especialistas apontam que a lógica militar de “ordem cumprida” pode conflitar com a diversidade de pensamento essencial ao processo educativo.


