O peptídeo GHK-Cu, composto ligado ao cobre, tem sido utilizado em produtos de skincare e terapias injetáveis com a promessa de rejuvenescer a pele. No entanto, médicos alertam que a popularidade do ativo não reflete a solidez das evidências científicas, que ainda são limitadas e heterogêneas quanto à eficácia e segurança.
O GHK, sigla para glicil-L-histidil-L-lisina, é um peptídeo presente no corpo humano. Quando associado ao cobre, forma o complexo GHK-Cu, estudado por sua atuação na reparação de tecidos, na resposta inflamatória e na produção de colágeno. A substância ganhou espaço na medicina de longevidade após a observação de que os níveis de GHK diminuem com o envelhecimento.
O médico integrativo Wandyk Allison, pós-graduado em Endocrinologia e Nutrição Clínica, afirma que a participação de uma substância em processos celulares não garante que a suplementação ou aplicação externa reproduza esses efeitos de maneira previsível. Segundo o especialista, é preciso cuidado para não transformar hipóteses biológicas em promessas de rejuvenescimento.
A aplicação do composto varia entre séruns, cápsulas e injeções, mas as vias de administração possuem absorções e metabolismos distintos. Uma revisão publicada em 2026 analisou 20 trabalhos sobre o uso injetável e identificou apenas dois estudos clínicos randomizados, sendo a maioria pesquisas pré-clínicas. O documento aponta a necessidade de protocolos definidos e formulações padronizadas.
A discussão sobre o ativo também envolve a relação entre o cobre e o zinco. O médico explica que o excesso de zinco pode interferir no metabolismo do cobre, comprometendo o equilíbrio do organismo. Por isso, a avaliação individual é necessária antes de qualquer suplementação de micronutrientes.
A tendência reflete uma mudança na abordagem do envelhecimento, que deixa de focar apenas em marcas visíveis, como rugas, para investigar a espessura e a elasticidade dos tecidos. O cenário atual, porém, indica que a evidência clínica disponível é pequena diante do entusiasmo do mercado.


