O mercado ilegal movimentou R$ 179,2 bilhões em 2025 no Brasil, valor que representa 13,8% das vendas de combustíveis, vestuário, eletroeletrônicos, cosméticos e produtos farmacêuticos. O índice é quase o dobro dos 7,5% registrados em 2010, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O setor de combustíveis e lubrificantes concentra a maior fatia do faturamento clandestino, somando R$ 100 bilhões, o que equivale a 18% das vendas totais do segmento. Para Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, a dificuldade do consumidor em identificar a procedência do combustível torna a fiscalização a única via eficaz de combate, superando campanhas educativas.
No Rio de Janeiro, a informalidade é visível em bairros como Copacabana e no Centro. Uma pesquisa do Instituto Fecomércio RJ com 1.012 consumidores da Região Metropolitana, realizada em novembro de 2025, indicou que 78,3% dos compradores do mercado informal são atraídos pelo preço baixo. Destes, 70,6% associam o valor reduzido à ausência de impostos e 21,3% à origem de carga roubada.
Empresários do Centro do Rio relatam piora no cenário. Segundo o Instituto Fecomércio RJ, 37% dos comerciantes perceberam aumento da informalidade, contra 32% em 2025. André Haddad, presidente da associação do Polo Saara, afirma que a convivência com ambulantes ilegais gera poluição visual e sonora, além de concorrência desleal com quem paga tributos.
A repressão policial registrou salto no volume de itens apreendidos. A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) recolheu 222.325 produtos irregulares no primeiro semestre de 2026, alta de 397% em relação ao mesmo período de 2024. O volume foi impulsionado por 189 mil figurinhas falsificadas, além de capas de celular, roupas e óculos.
A Receita Federal apreendeu R$ 4,19 bilhões em mercadorias em 2025 no país, alta de 11,4% sobre o ano anterior. No Rio de Janeiro, o crescimento foi de 72,2%, saltando de R$ 181,8 milhões para R$ 313,1 milhões. No primeiro semestre de 2026, as apreensões nacionais somaram R$ 2,15 bilhões, dos quais R$ 167,3 milhões ocorreram no estado.


