A crise nas relações entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, favorece a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a eleição presidencial de 2026, segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Meirelles afirmou que a situação coloca o magistrado que determinou a prisão de Jair Bolsonaro em uma posição delicada. Para o pesquisador, o cenário alimenta a narrativa de conspiração contra a família Bolsonaro e reduz o impacto de áudios nos quais Flávio solicitava doações para o filme “Dark Horse” ao empresário preso.
A análise indica que o episódio reforça a imagem do senador como um candidato contrário ao sistema político e às instituições. O efeito seria potencializado pela polarização, já que Moraes é visto por parte do eleitorado como aliado do grupo político de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em outro ponto da análise, Meirelles comentou a ascensão do psiquiatra Augusto Cury (Avante), que atingiu 10% das intenções de voto no primeiro turno em pesquisa do PoderData. O crescimento indicaria a existência de um grupo de eleitores cansados da polarização, mas que ainda se interessam por política.
O pesquisador explicou que Cury capturou o eleitor “exausto”, diferindo de outros nomes como Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que buscariam o voto da revolta. Meirelles disse que a formação profissional de Cury facilita o diálogo com esse público.
Apesar do resultado atual, Meirelles não prevê crescimento expressivo de Cury. O presidente do instituto acredita que o candidato possa perder apoio ao ser atacado por adversários e não vê a possibilidade de transferência de votos em um eventual segundo turno.


