Investidores institucionais e pessoas físicas registraram entrada líquida de recursos na B3 em agosto, revertendo a tendência de cautela recente. Enquanto os institucionais injetaram R$ 11,39 bilhões, o saldo positivo entre pessoas físicas foi de R$ 2,09 bilhões, em um cenário de expectativa por novas reduções na taxa Selic.
O movimento de retorno ao risco entre gestores profissionais, como fundos e assets, é detalhado em relatório do Itaú BBA. A instituição aponta que a redução de posições em caixa e o aumento gradual do risco nas carteiras são motivados por avaliações de preços mais atraentes após a correção da Bolsa e a perspectiva de continuidade da queda dos juros.
Apesar da entrada em agosto, os investidores institucionais ainda acumulam uma retirada líquida de R$ 28,58 bilhões no total de 2026. A mudança de postura é vista como seletiva, com preferência por empresas de infraestrutura, utilities, exportadoras e construtoras voltadas à baixa renda, enquanto negócios dependentes de crédito e consumo seguem sob cautela.
No caso das pessoas físicas, o saldo de agosto elevou a entrada líquida acumulada no ano para R$ 6,21 bilhões. Contudo, dados da Anbima indicam que a renda fixa continua central nas carteiras desse grupo, com aumento em títulos públicos e produtos bancários no primeiro semestre.
Jean Van de Walle, Chief Investment Officer da Sycamore Capital Family Office, afirmou que a renda fixa permanece excessivamente atrativa para que ocorra uma migração ampla do investidor de varejo para a renda variável. A expectativa é que a remuneração elevada com menor volatilidade da renda fixa atue como barreira.
O fluxo de investidores estrangeiros também mostrou melhora na reta final de agosto, embora o saldo mensal tenha fechado negativo em R$ 18,12 bilhões. A equipe macro do Itaú BBA projeta um corte adicional de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, o que levaria a taxa para 13,75%.


