Os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura criticaram a suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros pela União Europeia, que entrou em vigor nesta quinta-feira (3). O governo brasileiro afirmou que poderá adotar medidas de reciprocidade caso as tratativas não resultem em uma solução satisfatória para o comércio.
A medida do bloco europeu abrange produtos destinados ao consumo humano, como carne bovina, frango, ovos, mel e tripas. A decisão baseou-se em um regulamento sobre o uso de antimicrobianos. Em nota conjunta, o governo brasileiro disse ter a expectativa de que o diálogo permita a chegada de uma decisão fundamentada em critérios científicos e imune a pressões protecionistas.
O Brasil mantém engajamento político e técnico com as autoridades europeias desde 12 de maio de 2026. Segundo os ministérios, houve indignação com a falta de diálogo prévio à adoção da medida. O governo informou ter implementado ajustes para atender aos requisitos e apresentado a documentação solicitada.
Uma auditoria nas cadeias de carne de aves e mel começou no dia 24 de agosto e deve ser concluída nesta sexta-feira (4). O governo ressaltou que outros parceiros comerciais da União Europeia não passaram por esse procedimento. Os produtos afetados faziam parte de acordo entre o bloco europeu e o Mercosul, vigente provisoriamente desde 1º de maio.
Paralelamente, ministros das Relações Exteriores do Mercosul não chegaram a um acordo em Montevidéu sobre a divisão de uma cota conjunta de 99 mil toneladas de carne bovina por ano com tarifa reduzida de 7,5%. Paraguai defende a divisão igualitária de 25% para cada país, enquanto Brasil, Argentina e Uruguai propõem a divisão proporcional ao histórico de exportações.
O chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, afirmou que não houve acordo até o momento, mas que existe proximidade de posições entre Argentina e Uruguai. Equipes técnicas prosseguirão as tratativas e os chanceleres devem se reunir novamente em um prazo de 45 a 60 dias.


