A Polícia Militar determinou o reforço do policiamento ostensivo na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro a partir desta sexta-feira (4), período que coincide com o início do Rock in Rio. A medida visa conter a instabilidade causada por confrontos entre facções do tráfico e milícias em áreas como Muzema, Rio das Pedras, Asa Branca, Vila Sapê e Gardênia.
O plano, detalhado em documento interno do 2º Comando de Policiamento de Área (2º CPA), prevê a presença de agentes e viaturas até o dia 13 de setembro. O comandante da área também determinou que o Grupamento de Ações Táticas (GAT) apoie as equipes que atuam na região de Rio das Pedras. O policiamento busca garantir a segurança da população e a preservação da ordem pública diante do aumento do fluxo de pessoas.
Dados do Fogo Cruzado indicam que a Zona Sudoeste registrou 110 tiroteios entre junho e setembro. Nos oito primeiros meses deste ano, a região teve 97 mortos e 80 feridos em trocas de tiros. No último fim de semana, confrontos entre milicianos e traficantes em Jacarepaguá e Itanhangá resultaram na morte de quatro pessoas e no sequestro de 14 ônibus.
A violência tem crescido em áreas sob responsabilidade do 18º BPM, que abrange Gardênia, Curicica, Jacarepaguá e Cidade de Deus. Entre janeiro e julho, a região registrou 149 mortes violentas, um aumento de 59% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Já a área do 31º BPM, que inclui Muzema, Itanhangá, Vargens e Recreio dos Bandeirantes, contabilizou 56 mortes violentas nos sete primeiros meses de 2026.
Investigações apontam que o Comando Vermelho (CV) intensificou investidas na região nos últimos quatro anos para tomar territórios de milícias, visando criar um cinturão no entorno da Floresta da Tijuca. O controle de Rio das Pedras é estratégico para a facção, facilitando fugas e o acesso a outras áreas dominadas pelo grupo, como a Rocinha e o Complexo do Lins.
Nesta semana, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) instalou uma base avançada em área de mata entre as comunidades da Muzema e de Rio das Pedras. A unidade, que não tem prazo para ser desmobilizada, serve para agilizar o tempo de reação dos agentes e monitorar trilhas usadas por criminosos para invasões territoriais.


