O mercado de carros usados no Brasil apresentou sinais de desaceleração em agosto, com o índice IBV Auto, do banco BV, registrando queda de 0,01%. O resultado representa a menor variação mensal desde abril de 2024 e segue uma alta de 0,07% ocorrida em julho.
Nos oito primeiros meses de 2026, os preços dos usados acumularam alta de 3,55%, valor inferior aos 3,74% do mesmo período de 2025. A perda de ritmo é mais evidente no acumulado de 12 meses, em que a valorização caiu de 6,10% para 5,12%. Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, atribuiu o movimento à Selic em patamar restritivo, desaceleração da atividade e forte concorrência de veículos novos.
O segmento de elétricos apresenta a maior perda de valor. Modelos ano 2023 tiveram depreciação acumulada de 46,15% até agosto, enquanto carros a combustão comparáveis recuaram 21,72% e híbridos perderam 26,36%. A queda ocorre apesar do crescimento nas vendas de novos: de janeiro a julho, foram 271.091 unidades eletrificadas, volume 21% maior que todo o ano de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
A desvalorização dos elétricos é impulsionada pela chegada de novas marcas e modelos, principalmente chineses, e por avanços tecnológicos que tornam versões antigas obsoletas mais rapidamente. Em julho, a venda de carros elétricos puros saltou para 25.782 unidades, contra 7.010 no mesmo mês do ano anterior. O país contabilizou 25.429 pontos de recarga até julho, conforme a ABVE.
Regionalmente, a desaceleração é desigual. São Paulo, com alta de 3,33% em 12 meses, e Santa Catarina, com 3,20%, puxam a média nacional para baixo. No sentido oposto, o Rio de Janeiro registrou alta de 6,28%, Sergipe 6,18% e Mato Grosso 6,15%. Em agosto, os preços recuaram 0,44% na Região Sul e 0,11% no Sudeste, enquanto o Centro-Oeste subiu 0,81%.
Entre os modelos, Ford Ka (-2,27%), Fiat Mobi (-2,06%) e Volkswagen T-Cross (-1,66%) tiveram queda em agosto. Já o Fiat Uno (1,68%), Volkswagen Fox (1,39%) e Toyota Corolla (0,51%) registraram alta no período.


