A diplomacia francesa anunciou, nesta sexta-feira (4), que deixará de utilizar a projeção de Mercator em seus mapas-múndi. A decisão baseia-se no argumento de que o padrão cartográfico supervaloriza visualmente certas regiões e prejudica a representação de áreas como o continente africano.
O anúncio coincide com a entrega de um documento à Organização das Nações Unidas (ONU), nesta sexta-feira, por iniciativa da União Africana e com apoio da França. O texto promove a adoção de projeções cartográficas mais justas e científicas, que respeitem o tamanho real dos continentes, informou uma fonte diplomática.
A projeção de Mercator foi criada em 1569 por Gerardus Mercator, geógrafo e cartógrafo nascido na atual Bélgica, com o objetivo de facilitar a navegação marítima. Contudo, o modelo distorce áreas próximas aos polos e reduz regiões equatoriais, fazendo com que Europa e América do Norte pareçam maiores do que são.
Essa distorção faz com que a Groenlândia aparentemente tenha o mesmo tamanho da África ou da América do Sul. Na realidade, o continente africano é 14 vezes maior que a ilha ártica, enquanto o Brasil, isoladamente, é quatro vezes maior que a Groenlândia.
O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, declarou em Paris que o Ministério das Relações Exteriores abandonará o modelo em favor de representações adaptadas aos usos atuais. Segundo Barrot, as novas escolhas seguirão recomendações de cientistas e cartógrafos para garantir fidelidade às áreas reais do território.


