Exportadores de produtos de origem animal em Goiás devem ter um prejuízo estimado em US$ 16,8 milhões por mês após a União Europeia (UE) suspender as importações brasileiras nesta quinta-feira (3). A sanção ocorre porque o Brasil não comprovou o cumprimento de regras sobre o uso de antimicrobianos na cadeia produtiva.
A suspensão, decidida em maio de 2026, atinge carnes bovina, suína e de aves, além de peixes de cultivo, mel, ovos e equinos. Segundo Saulo Nogueira, analista econômico da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), a medida refere-se à capacidade de comprovação documental e não a problemas sanitários nos produtos.
Em Goiás, as carnes bovinas representavam 90% do valor exportado para o bloco, totalizando US$ 171 milhões. A análise da Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg aponta que as plantas da JBS, em Mozarlândia, e da Minerva Foods, em Palmeiras de Goiás, são as mais prejudicadas por produzirem cortes nobres para o mercado premium europeu.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reagiu com a Portaria SDA nº 1.617/2026, que proíbe antimicrobianos como aditivos de desempenho animal. A partir de 3 de setembro, apenas produtos que comprovem as regras europeias receberão certificação sanitária internacional. O governo brasileiro também enviará documentação atualizada à UE.
A recuperação do mercado deve ser lenta devido ao ciclo da pecuária de corte. Um animal abatido aos 30 meses precisa ter seguido as normas desde o nascimento, o que significa que frigoríficos levarão cerca de 30 meses para exportar carne adequada às novas exigências.
A Fieg recomenda que as empresas redirecionem a produção para a China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Coreia do Sul. A entidade sugere que o setor utilize ativos como a rastreabilidade individual do Sisbov e o status de área livre de febre aftosa sem vacinação para acelerar a adequação.


